Artistas bauruenses no Circuito Sesc de Artes

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O Núcleo Artístico Ferruada se apresentou por 12 cidades do interior e te conta como foi essa experiência memorável.

Como surgiu o Núcleo Ferruada?

É um Núcleo de pesquisa e produção cênica de Bauru que existe desde 2024. A ideia de ser um núcleo é para ser um organismo vivo, tendo uma gestão fixa, mas com artistas e produtores que somam conforme os trabalhados desenvolvidos. Desta forma, o Ferruada nasce da ideia de aproximar mais o universo das artes da cena, da literatura e da educação.

Em 2025, os artistas do Núcleo passaram pelas bibliotecas e salas de leitura de Bauru contando histórias, através da Lei Paulo Gustavo. Além de estar em cartaz todos os finais de semana de junho e outubro no Sesc Bauru, com contação e mediação de leitura.

Em 2026, o Ferruada está com o Circuito Sesc de Artes, com a mediação de leitura “Palavras d’água”. Além desses trabalhos voltados às infâncias, desenvolvem uma pesquisa dentro do teatro documentário e ficcional.

Atualmente, o Núcleo Ferruada é gerido e produzido por Matheus Tolentino e Paulo Boasorte e está com espaço de ensaio na seda da Sociedade Amigos da Cultura (SAC), no Centro de Bauru.

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Sobre o Circuito Sesc de Artes

O Circuito Sesc de Artes é um evento itinerante de arte e cultura, gratuito e realizado em espaços públicos (praças, ruas, parques) de diversas cidades de São Paulo, promovido pelo Sesc SP. Ele ocorre anualmente, geralmente no primeiro semestre do ano, levando uma programação diversa com circo, teatro, música, dança, literatura, cinema e artes visuais para municípios que não possuem unidade física do Sesc, sendo realizado em parceria com Prefeituras municipais e Sindicatos do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

A edição de 2026 ampliou as ações de acessibilidade, com a presença de intérprete de Libras em parte significativa das atividades e como parte das celebrações dos 80 anos do Sesc, o Circuito apresentou a experiência imersiva Realidade Virtual Sesc 80 Anos, um curta de animação sobre a trajetória do Sesc, construindo simbolicamente “o seu” Sesc ao longo da narrativa.

Como foi a preparação do grupo até serem selecionados para se apresentarem?

No fim de 2025, recebemos um convite do Sesc Bauru para integrar a programação do Circuito Sesc de Artes 2026 na parte de literatura e assim, iniciamos um processo de pesquisa dentro do Ferruada, criando o “Histórias do nosso quintal”, que traz narrativas e brincadeiras, buscando fomentar a ancestralidade e a valorização do Brasil, por meio da contação de história, mediação de leitura e oficina.

A partir desse disparador, o quintal é o centro das atividades, por ser um espaço muito ligado às lembranças e memórias dentro do imaginário coletivo. Em 2025, tivemos a bifurcação dessa pesquisa no “Quem conta, canta! Quem canta, encanta! e “Entre voos e brincadeiras” – ambos apresentados no Sesc Bauru.

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Para 2026, desenvolvemos “Palavras d’água”, que aborda todo universos das águas, desde um olhar científico e da natureza, até um lugar de sustentabilidade, religioso. Durante todo processo de criação, houve uma investigação cênica do uso da palavra e das vocalidades. Além disso, fizemos o estudo dos livros e dos materiais que acompanharia nossa mediação de leitura.

Toda a criação foi orientada por Matheus Tolentino e Paulo Boasorte, com a colaboração de Juliana Damasceno, Gabriel Galvão e Sara Belasco, compondo a ticha técnico do trabalho. Os figurinos foram desenhados pela artista visual Bárbara Ucella e feitos por Majô.

Jornada pelo interior aumenta a potência de criar

A mediação de leitura “Histórias do nosso quintal: Palavras d’água” circulou pelo interior de São Paulo, passando por: Joanópolis, Bragança Paulista, Campo Limpo Paulista, Várzea Paulista, Rio Claro, Águas de São Pedro, Botucatu, Agudos, Iracemápolis, Araras, Mogi Guaçu e Mogi Mirim.

Em geral, todas cidades e praças que apresentamos trouxeram aprendizados e diversão por conta de que cada território possuir uma característica própria. Junto disso, vinha também o desafio de adaptação e como nós podíamos integrar à cada lugar, com as histórias e as brincadeiras.

Na tentativa de elencar uma cidade, Bragança Paulista foi muito marcante para todos nós, pelo fato de ter sido uma das primeiras cidades a apresentarmos. Além de ter uma recepção contagiante do público, adultos e crianças se envolveram muito nesse dia, com grande interesse e vontade de experienciar a ideia da mediação de leitura. Nesse dia, o layout da praça Lago do Taboão era uma arena e isso permitiu que todos os artistas envolvidos no Circuito se assistissem, o tempo todo.

A Juliana relata que “nesse dia, tinha muitas crianças vindas da pedagogia Waldorf, na qual eu dei aula por alguns anos e da qual trago muita bagagem artística e musical”. Isso era um facilitador para receber as pessoas que passavam por nós.

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Outro ponto de destaque é que o espaço que estávamos realizando a ação deixava o público bem próximo e assim, as leituras e as brincadeiras ficavam mais acolhedoras.


Uma outra cidade que marcou todos nós, foi Joanópolis. Foi a estreia da mediação, do elenco e do Núcleo Ferruada no Circuito Sesc de Artes. Por ser o primeiro contato, passamos pelo fator de ritmo do público e das ideias que tínhamos. Foi uma mistura de desafio e muita gratidão.

Como foi a recepção das crianças nas apresentações? O que marcou mais nas interações?

As recepções foram muito boas em todas as cidade, sempre se envolviam muito, criando ao redor da mediação uma atmosfera muito mágica. O que diferenciava uma cidade da outra foi o envolvimento ou não dos pais ou responsáveis. Sempre que havia uma troca também com os adultos, tudo se tornava ainda mais especial, porque a criança, além de se entregar à experiência, também via a entrega da sua pessoa de confiança e se abria mais às vivências que estávamos propondo, tanto em relação às sugestões de leituras quanto as músicas e brincadeiras ligadas as palavras d’água.

Nesses encontros, o brilho no olhar das crianças, o interesse na escuta das histórias e das músicas eram presentes. Muitas vezes, as crianças e até adultos, chegavam tímias e iam entregando ao longo da mediação, saindo mais leves, animadas, cantando e contando para outras pessoas o que acharam. Muitas vezes, elas até voltavam logo depois para novas interações com a gente.

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Ao longo do processo, todo elenco ia entendendo como a mediação ia se construindo e sempre avaliávamos juntos. Dentro de uma das nossas conversas, percebemos que o espaço de leitura criava um refúgio aconchegante e estimulante para pessoas de todas as idades.

Paulo aponta que nessas interações é muito importante estarmos com propostas e ações pensadas previamente, mas também é muito valioso quando estamos atentos no que o público pode nos entregar e a partir disso, criar um caminho de via dupla.

Qual a sensação de circularem por tantas cidades, fazendo algo amam?

Para todo o elenco, é um sonho realizado poder trabalhar com arte e ser valorizado/a. É um sonho também poder estar próximos de pessoas fazedoras de cultura e assim, perceber que não estamos só. Também é interessante perceber a cultura de cada cidade, o clima e as próprias regionalidades.

A Juliana explica que “cada cidade tem suas particularidades: o tipo de público, as diferentes formas de criação, curiosidade da criança, o clima da cidade, a praça, entre tantos outros aspectos e tudo isso influencia muito nas trocas entre nós e o público, mas com as propostas e as ações norteadoras, íamos possibilitando uma mediação segura.

Também foi possível notar como nós também fomos nos transformando e aperfeiçoando ao longo desse processo…”


A Sara comentou

“foi a minha primeira experiência em um Circuito e a primeira vez com mediação de leitura… Eu, particularmente, estava muito insegura com a atividade e com a interação das crianças, mas foi uma experiência surreal, tanto pela mediação em si quanto pelas experiências que tivemos como o contato com outros grupos artísticos do Circuito…”


Matheus e Paulo destacaram que em meados de 2016, quando moravam em Lins/SP, o Circuito Sesc de Artes era um dos eventos de fomento à cultura na cidade e eram públicos. Como idealizadores do Ferruada, sempre tiveram desejo de participar do Circuito, enquanto artistas e produtores e em 2026, conseguiram atingir essa meta.

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Como a mediação de leitura que vocês criaram e circularam no Circuito, estimulam as crianças a lerem mais?

“Criar uma ação que envolve as infâncias é uma forma da gente visitar e cuidar de todas as crianças, até nossas crianças interiores… Ainda mais um trabalho que fala sobre águas… Precisamos refletir quais são as águas dos nossos caminhos e dentro do mundo. Como estamos cuidando disso tudo? As artes e a leitura podem facilitar isso…” explica Paulo.

“Histórias do nosso quintal: Palavras d’água” aproximam as crianças da leitura de forma sensível e participativa, através da contação de histórias, das interações e das experiências criativas propostas durante a atividade com músicas e brincadeiras. As crianças e adultos envolvidos, foram convidadas a imaginar, explorar palavras e construir sentidos sobre as águas.

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Dessa forma a leitura saía do lugar de obrigação e passava a ser vista como um espaço de descoberta, diversão e expressão. Isso aguça ainda mais a curiosidade das pessoas para explorar os livros e participar das atividades propostas, porque elas já estavam tão envolvidas e de forma leve. Ao final muitas delas estavam explorando espontaneamente os outros livros, além dos instrumentos que utilizávamos durante a mediação. Um fato observado é que diversos responsáveis pediam para tirar fotos ou registrar as ações, ou até mesmo os livros para adquirir futuramente.

Juntar leituras, pessoas atentas e criativas, pesquisas sobre os universos das águas, em local público é algo que contagia e reverbera.

Depois dessa jornada, o que fica marcado na memória?

Depois dessa jornada ficam marcados: os encontros, as regionalidades de cada cidade, as trocas entre o público e os artistas que caminharam conosco ao longo de todo o Circuito. Cada experiência vivida fortaleceu ainda mais a importância da arte como espaço de conexão, escuta e transformação.

Também permanece o desejo de continuar pesquisando dentro das artes, por sermos um núcleo de artistas podendo trabalhar com arte e sendo valorizadas/os por isso. 

Por fim, também as risadas, trocas e lágrimas a partir dessa experiência fica guardado em lugares afetivos. 

Quais os próximos passos do grupo? Vem projeto novo pela frente?

Ainda vamos circular com essa mediação de leitura dentro das salas de leituras e estamos no processo de criação, que é a transformação de uma das nossas contações de história, Nuvem-algodão em espetáculo para infâncias… Vem aí…

Como as pessoas podem acompanhar o trabalho de vocês (tanto o Núcleo como o de cada artista solo)?

Ferruada está no Instagram: @nucleoferruada;

Juliana Damasceno: @julianadamasc

Gabriel Galvão (Neura): @gabrielneura;

Matheus Tolentino: @matheusvtolentino;

Paulo Boasorte: @paulotbs;

Sara Belasco: @sara.belasco

Ficha técnica:

SINOPSE: Quais são os caminhos das águas? Onde as palavras nascem e onde elas desaguam? Mergulhe em uma viagem literária com narrativas que falam sobre movimentos e nascentes. Entre livros, objetos e brincadeiras, vamos escutar, refletir e se banhar junto com as palavras. Em cada canto que pingarmos, convidamos o público para fazer muitas histórias acontecerem e celebrar diversas tradições escritas, faladas e vividas dentro desse nosso quintal.

Artistas mediadores/as: Matheus Tolentino, Juliana Damasceno, Sara Belasco, Gabriel Galvão e Paulo Boasorte.
Figurino: Barbara Ucella e Majô;Cenografia: Matheus Tolentino e Paulo Boasorte;
Produção:  Núcleo Ferruada;
Fotografia: Nunk (@agidknun).

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